sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Eu e Caetano Veloso na noite de natal.

Sonhei um sonho estranho e muito real nesta noite de natal, parecia mesmo verdade. Desde criança tenho desses sonhos inesquecíveis, eles parecem um filme e são meio alucinados. Sonhei que eu estava sob uma mangueira, e atrás dela estava um predinho todo em concreto aparente. Parte da estrutura da fachada do prédio era uma mesa amebóide, linda, ou seja, mobiliário misturado com a arquitetura.
enfim, uma doideira.
Mas a doidera não pára por aí, quem morava nesse predinho minúsculo era o caetano veloso.
era como se fosse o escritório dele, cheio de livros e música.
ele chamou a mim e a outra pessoa que me acompanhava para subir.
lá ele contou como tinha pensado na decoração do lugar.
então, eu acordei.
a orozimbilândia agradece!!!
papai noel para mim foi antológico neste ano. ganhei prendas demais... vou mostrar apenas algumas aqui! essa coisa de decorar o apartamento tem que ser divulgada mesmo, por causa disso acabou que minha casinha verde água ganhou mais presentes do que eu, consequentemente, eu mesma ganhei tudinho...
a menininha, gata linda da minha mãe, veio passar duas semanas aqui em casa, isso também é presente de natal, apesar de ela soltar pêlos por tudo que é canto...
bonequinha kokeshi, japonesa original e feita à mão! primeira da coleção. teve pra mim fisicamente falando também: ganhei uma melissa design Zaha Hadid, mas essa tem a Sininho no detalhe, linda, claro, verde, não é água, mas é bem retrô.
Relógio lindo, meio jetsons, né? vai ficar no quarto, assim, não perco a hora... ou tento não perder.
caixinhas de som da imaginarium, o designer que inventou isso é um gênio, elas funcionam bem demais e são de dobrar, em pvc, chamam tropicália! vão ficar sobre a minha mesinha do cris shinayder.Não poderia faltar enredo pro meu mundo art déco: a feiticeira, a coleção! quando eu começar a ver não vou parar mais não! meu imaginário retrô vem todo daí, minha gente! quem me deu me conhece melhor do que eu mesma...cadeira wassily miniatura da tok stok. adorei... também é mais uma pra coleção de miniaturas do design.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Orgulhosa

Eu fecho o ano, feito a professora do chico bento, falta mesmo só o cóque e os óculos, feliz e orgulhosa com os trabalhos dos meus alunos.
É tão bom ver que todo o trabalho pra eles entenderem conceitos, metodologia e criação de linguagem deu certo, e muito lindo ver esses futuros designers fazendo bem feito ainda estudantes.
Eu, orgulhosíssima deles, elaborei um blog pra registro e exposição dos trabalhos. Pra quem quiser conferir, vai aí o caminho:
Boa maneira de fechar na área profissional o ano. Missão cumpridíssima.
Ah, e duplamente feliz por perceber que eles entenderam bem o que Starck quis dizer aqui:
“I was a producer of materiality and I am ashamed of this fact.Everything I designed was unnecessary. I will definitely give up in two years’ time. I want to do something else, but I don’t know what yet. I want to find a new way of expressing myself …design is a dreadful form of expression…. In future there will be no more designers. The designers of the future will be the personal coach, the gym trainer, the diet consultant.” Starck: Design Is Dead, Sorry on PSFK

domingo, 20 de dezembro de 2009

Breve momento "seinfeld" em minha manhã de domingo...

Acordo com sono, mas mesmo assim decido ir pra academia do clube. Lá, procuro a minha querida bicicleta ergométrica de acento. Nossa, essa foi mesmo a melhor invenção do design de bicicletas ergométricas. Você fica ali, com as costas apoiadas confortavelmente, pode ler um livro ou revista, e ainda assim, exercita as perninhas. Bom, estava lotado mas eu achei uma livre. Um gordão estava do meu lado, bufando, tanto que mesmo colocando no máximo o som do meu mp4 eu ainda ouvia os bufos. Mas enfim, o gordo sai, e logo ocupa o seu lugar um menininho de uns 10 anos, muito, muito magrelo. Eu pensei, por que é que uma criancinha magra dessas precisa de ficar aqui se desgastando. Ele não deve ser normal não...
E Pior que não era! O menininho então, totalmente sem noção, mesmo vendo que eu estava ouvindo música me chama e diz: "moça, moça, cê tem horas?" Eu respondo: "não, ó!" e mostro meu braço sem relógio. Ele diz: "brigado e ri". Como achei bonitinho o gesto, pensei bondosamente, ah, que gracinha, ele quer papear. Virei pro menininho e disse: "ó, mas você pode olhar o tempo aqui ó!" e apontei o meu monitor, mostrando que ele poderia fazer o mesmo no dele. Ele então, no seu pensamento infantil e ingênuo me diz: "ah, tudo bem, o meu também tem, ó"... Bom, será que ele entendeu que eu tava dizendo pra ele ficar olhando o tempo no meu monitor???" Bom, tudo bem... Voltei a ouvir minha musiquinha.
Passa um tempo e ele me diz:" moça, moça, você já estudou tudo?" E eu pergunto: "tudo o que?" e ele: "uai, tudo, assim, tudo, sabe?" "ah, você quer saber se eu me formei?" e ele: "é. isso!" eu então respondo: "ah sim, me formei sim". E ele: "o que você aprendeu a fazer?" Eu então pensei, se eu for explicar a esse menino o que é design, coisa que nem os próprios sabem explicar, essa conversa vai longe... melhor dizer pra ele que me formei na área mais próxima da minha, a famigerada arquitetura. "Ah, eu me formei em arquitetura". E ele: "ah, isso envolve muita... é... como diria, geometria, né?"
Daí eu então penso, gente, esse menino é meio estranho, ao mesmo tempo que é lentinho, ele é complexo. "Sim, sim, envolve geometria". Nesse momento eu corto o papo e coloco de volta meu foninho.
Ah, que menino sem noção, além de meio abobado e chato tava olhando pra minha pequena comissão de frente... aneim...Não se fazem mais crianças como antigamente.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aos Amigos lá longe...

Ontem e hoje tenho me lembrado dos meus amigos lá longe. Aqueles que fizeram parte da minha vida por muito ou pouco tempo e que agora fazem parte só na lembrança. Saudade das amigas de Brasília. Dos amigos. Saudade de alguns amigos da infância. E saudade daqueles amigos que não foram apenas amigos, foram mais.
Tenho feito novos amigos, numa nova vida é sempre assim, novos amigos chegam, novos códigos, novas fases, novos assuntos, novas pessoas, com suas novas manias. Pegamos sempre um pouco do que os novos amigos têm: o jeito de falar, de ver a vida e de gostar ou desgostar das coisas. Mas, ao menos eu, sinto sempre que fui construída por pequenas coisinhas que vivi com os meus outros tantos amigos, aqueles de um passado que me construiu. Saudade é ruim, mas é bom. É bom quando se pode matar saudade. Eu hoje passei uma boa hora da manhã de domingo escrevendo a estes amigos lá longe. Contando da minha vida e querendo saber como eles estão, como vai a vida... Eu nunca gostei de Legião Urbana e menos ainda das frases melosas do Renato Russo, mas sei lá se é a fase nostálgica do natal, mas enquanto eu escrevia os mails me vinha sempre à lembrança o verso : " é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."

domingo, 6 de dezembro de 2009

Qual é o problema???

Ando repensando ou resignificando algumas histórias. Quebrando uns antigos conceitos meus que não tem razão de ser. Como por exemplo, repensei totalmente meus critérios sobre arte conceitual! Nossa, tem muita gente que me conhece e não vai crer em mim dizendo isso. Mas é sim, conceito, quando é bom é tudo. Idéia é tudo. Se a idéia for boa, o resto será, conceitual ou não. Apenas conceitual ou não. Apenas?Bom, no último congresso de arte que participei fiquei na mesma roda de outros dois pesquisadores. A duplinha falou sobre seus conceitos duchampianos do que é a arte contemporânea. Eu, e um amigo, falamos sobre a análise que fizemos do grafite dos Gêmeos. A duplinha de pesquisadores duchampianos fez logo sua análise crítica do nosso objeto de estudo. A menina, me questionou em tom crítico: " Hum... eles vendem por milhões o trabalho deles..." Bom, eu disse, milhões não sei, mas é caro sim. E como disse meu amigo Juscelino que também estava lá:

"E daí??? Qual que é o problema??? o que é que tem???" Eu ri e me diverti demais com a retórica dele! E ele continuou dizendo: "é tudo falso, eu sou falso, vocês são falsos, a arte contemporânea é falsa! Olha aqui, ó! (nesse momento ele levanta a camiseta e mostra uma faixa daquelas que aperta a barriga e a pessoa parece magrinha) e continua, viu ó, minha barriga sarada é falsaaaa... Arte contemporânea é isso!"

Bom, que pena que a parte da camiseta ele não chegou a fazer, incenou essa cena depois, no elevador, mas que seria engraçado ver a cara dos pesquisadorezinhos duchampianos vendo isso, ah seria demaisss!

Pois é, esse conceito de que a arte para que seja realmente séria não possa ser vendida é antiquado demais. Aí, ó, esse é um lado da arte conceitual e contemporânea que não gosto. Se for bom, tem que vender, sim. Nossa, mercado e arte, esse tema é perigoso...
Ando também revendo meus conceitos sobre o Design.
Mas isso fica pra um outro dia...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Enquanto olho de dentro do Niemeyer

Dias atrás fui visitar o teatro projetado pelo Niemeyer aqui para minha cidade. Ele ainda está no "osso" mas já é grandioso, em todos os sentidos. Percebi que me senti em Brasília. Eu não estava em Brasília, estava contemplando paisagens de dentro de um espaço construído numa cidade mineira, não modernista. Mas me senti buscando dali de dentro, dos vãos abertos naquele espaço arquitetônico, uma paisagem racionalmente bela. Brasília está em todos os lugares que Niemeyer também está.
Assim, descobri que Niemeyer não transforma apenas paisagens vistas de fora, mas descobri que ele também cria paisagens vistas de dentro.


E eu tenho que aceitar dinheiro escondido nas meias?

Hoje tive um dia daqueles no trabalho. Por conta de ser correta numa situação que pra mim é lógica, acho que perderei uma noitinha de sono...
Dias atrás uma aluna me procurou pedindo pra que eu abonasse suas faltas porque ela havia conseguido um emprego no horário da aula e poderia até o fim do ano assistir apenas meia hora (de 3 horários) de aula, ou seja, sem chances, ela iria ser reprovada por faltas.

Bom, eu, obviamente, disse a ela que não poderia fazer isso, que se fizesse pra ela não justificaria cobrar presença dos outros alunos. Mas pra piorar ela ainda me disse: - mas é só entre nós, vamos fazer isso a la "brasileira".
Meu sangue subiu à cabeça, não sou daquele tipo apologista de uma honestidade forçada, daquelas que alguns tem mania de sair gritando nos 4 cantos, nem sou a Helena da novela, mas me irritei demais com aquilo, por isso é que esse país tem político que esconde dinheiro roubado nas meias.

Ela não desistiu, e continua insistindo, tentando colocar em dúvida meu profissionalismo.. enfim, uma conversa desgastante que a pessoa insiste em ficar tendo comigo.

Então, hoje, depois de mais um "diálogo" com a tal pessoa, saí da Faculdade esgotada, sem energia pra nada, até de ir pra ginástica desisti, tudo porque senti medo. Isso mesmo, medo! Senti medo do tom de ameaça da aluna, medo de estar sendo correta e de sofrer consequências por isso. É estúpido, eu sei, mas senti medo por estar sendo correta. Por isso é que os bandidos ficam soltos e nós nos prendemos dentro de casa. Então, fico pensando, será que na Áustria isso acontece?

domingo, 29 de novembro de 2009

Utopia de um homem cansado

Na semana que passou coisas criativas me aconteceram. Fiz um mini curso de ilustração vetorial. Arrisquei em ordenar meus traços caóticos no vetorial do computador. Fiz umas experiências, e hoje, descobri Borges. Eu não o conhecia. Não conhecia Jorge Luís Borges. Passei a conhecer e me apaixonei. Os contos, dois que já li, são imensamente descritivos. Me inspiraram a desenhar direto do corel. Saiu uma coisa engraçada. Gostei da idéia e mais ainda de continuar lendo Borges.

Quem me apresentou Borges, foi o Fafis. O Fafis me trouxe o Borges lá do passado nessa manhã de domingo, mostrando a ele (ao Borges) que de homem cansado ele passou a ser homem atemporal.

Trecho de Utopia de um homem que está cansado (Borges).
"Não há dois serros iguais, mas em qualquer lugar da terra a planície é uma e a mesma. Eu ia por um caminho da planície. Perguntei-me, sem muita curiosidade, se estaria em Oklahoma ou no Texas ou na região que os literatos chamam o pampa. Nem à direita nem à esquerda, vi um alambrado. Como em outras vezes, repeti devagar estes versos de Emílio Oribe:
Em meio à assustadora planície interminável. E perto do Brasil, que vão crescendo e se engrandecendo.
O caminho era desparelho. Começou a cair uma chuva. A uns duzentos ou trezentos metros vi a luz de uma casa. Era baixa e retangular e cercada de árvores. Abriu-me a porta um homem tão alto que quase me deu medo. Estava vestido de cinza. Não havia fechadura na porta.

Entramos em um grande quarto com paredes de madeira. Pendia do forro uma lâmpada de luz amarelada. A mesa, por alguma razão, me pareceu estranho. Nela havia uma clepsidra, a primeira que vi, fora de alguma gravura em aço. O homem me indicou uma das cadeiras. Tentei diversos idiomas e não nos entendemos. Quando ele falou, fê-lo em latim. Reuni minhas mais distantes lembranças de bacharel e me preparei para o diálogo.
- Pela roupa – disse –, vejo que chegas de outro século. A diversidade das línguas favorecia a diversidade dos povos e mesmo das guerras; a terra regressou ao latim. Há quem tema que torne a degenerar o francês, em limusino ou em papiamento, mas o risco não é imediato. Ademais, nem o que foi, nem o que será me interessam.
Eu não disse nada e ele acrescentou:
- Se não te desagrada ver outro comendo, queres me acompanhar?
Compreendi que percebia minha inquietação e disse que sim.
Atravessamos um corredor com portas laterais, que dava para uma pequena cozinha em que tudo era de metal. Voltamos com o jantar em uma bandeja: tigelas com porções de milho, um cacho de uvas, uma fruta desconhecida cujo sabor me lembrou o do figo e uma grande jarra d’água. Creio que não havia pão. Os traços de meu hospedeiros eram agudos e tinha algo de singular nos olhos. Não esquecerei esse rosto severo e pálido que não tornarei a ver. Não gesticulava ao falar.
Atrapalhava-me a obrigação do latim mas finalmente disse:
- Não te assombra minha súbita aparição?
- Não – replicou –, tais visitas ocorrem de século em século. Não duram muito; amanhã, o mais tardar, estarás em tua casa".
Vou continuar ilustrando este...